2009/05/19

«Anatomia da traição»

Nem sempre concordo com João César das Neves - aliás, acho que quase sempre discordo de César das Neves. Mas mesmo quando não concordo, gosto de o ler, o que faço [sem piadas] religiosamente.

Não fosse a parte final deste artigo de opinião publicado ontem no «Diário de Notícias», demasiado militante para mim, e eu concordaria com tudo. Com tudo, claro, menos com a parte em que daqui para ali se salta num com perna curta para a eutanásia e o aborto: temas com os quais João César das Neves e eu estamos nos antípodas.

Mas a verdade é que o artigo figurou no meu dia de ontem como uma revelação - há alturas em que pensamos, pensamos, pensamos e não conseguimos verbalizar ou sequer escrever o que com tanto afinco e obsessão pensamos. Até que alguém o escreve por nós, o que felizmente já me aconteceu muitas vezes e de todas a sensação é quente e aconchegante. Como se a existência de outra cabeça no planeta, com a mesma ideia, a tornasse - à ideia - menos solitária.

Foi o que fez César das Neves: pôs por escrito o que andava nas minhas cabeças às voltas como pedaços rarefeitos de algodão doce, que comemos com a ponta dos dedos, mas que nunca agarramos com força.

Aqui fica o agradecimento ao prof. e sobretudo o artigo, que eu escreveria se soubesse escrever assim.
Escrito por Ju at 21:02 | Link permanente | Comentário (0) |

2009/05/18

«Get Gone», Fiona Apple

How many times do I have to say

To get away-get gone

Flip your shit past another lasses

Humble dwelling

You got your game, made your shot, and you got away

With a lot, but Im

not turned-on

 

So put away that meat youre selling

Cuz I do know whats good for me-

And Ive done what I could for you

But youre not benefiting, and yet Im sitting

Singing

again, sing, sing again

 

How can I deal with this, if he wont get with this

Mi gonna heal from this; he wont admit to it

Nothing to figure out; I gotta get him out

Its time the truth was out that he dont give a

Shit about me

 

How many times can it escalate

Till it elevates to a place I cant breathe?

And I must decide, if you must deride

That Im much obliged to up and go

Ill idealize, then realize that its no

Sacrifice, because the price is paid, and

Theres nothing left to grieve

Fuckin go-

 

Cuz I’ve done what I could for you, and I do know whats

Good for me and I’m not benefiting, instead

Im sitting singing again, singing again, singing again,

Sing, sing, sing again

 

How can I deal with this, if he wont get with this

Mi gonna heal from this; he wont admit to it

Nothing to figure out; I gotta get him out

Its time the truth was out that he dont give a

Shit about me

Escrito por Ju at 15:47 | Link permanente | Comentário (1) |

2009/04/26

As europeias são um «concurso de misses»

Sobre as europeias não há muito a dizer. O PS já deve estar arrependido da escolha de Vital Moreira - serviu para criar o único momento de surpresa do último congresso unanimista/socialista - mas para pouco mais. O próprio cartaz com o «Nós, Europeus» deve esquecer que Vital, mais novo, era tudo menos europeísta. Acreditamos na evolução da espécie e na mudança de opinião, pois assim se compreende que Vital seja agora mais europeísta que outro candidato qualquer. Mesmo Rangel, para quem a Europa não deve ser assim tão importante: um homem culto e inteligente dá-lhe o valor que ela merece no contexto nacional. E no burgo, a Europa vale o que vale.

Mas o maior valor das eleições europeias - que alguém um dia classificou de «concurso de misses» [terá sido Portas há muitos, muitos anos?], não no sentido estético, pois bem, mas no sentido de vacuidade ou resultado - é ser uma boa preparação para as máquinas partidárias. Bem mais do que uma antevisão de outras eleições.

Se o PS não tem dúvidas que a sua está bem oleada - basta pensar nas últimas legislativas e mesmo nas presidenciais: não fosse o bando socialista a entusiasmar a campanha, o resultado de Soares tinha sido tão expressivo nas urnas como nas ruas; e aí a coisa ainda disfarçava.

Já o PSD não pode ter a certeza de como funcionará a sua. Ferreira Leite não é o último grito em termos de arruadas e os militantes sociais-democratas não se deixam entusiasmar com pouco. E as eleições europeias são pouco.

O blog do Sobras fala até no «fim das europeias»: e na escolha perfeita dos dois candidatos. «Paulo Rangel e Vital Moreira são as escolhas perfeitas. Acabaram com o jogo mesmo antes de começar».

Concordo: são as escolhas perfeitas. Sobretudo porque não se importam se vão ou não a jogo. O resultado final poderá ser escalpelizado à exaustão, mas uma coisa é certa: não será dos protagonistas a culpa por um marcador absentista.

Escrito por Ju at 16:02 | Link permanente | Comentário (0) |

2008/12/30

Votos para 2009

Escrito por Ju at 22:28 | Link permanente | Comentário (0) |

2008/12/14

Contemporâneos - o melhor vídeo de Natal

Veja aqui
Escrito por Ju at 22:43 | Link permanente | Comentário (1) |

2008/11/13

Sugestão a Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite diz que «não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite». Pois bem: com excepção da censura fria e dura, não vejo outra forma de condicionar a comunicação social a seleccionar o que não quiser ou a publicar o que não lhe interessar - e sim, há outras formas para além da censura pura, mas são censura non the less.

A líder do PSD diz que a matéria merece reflexão - eu poupo-lhe o trabalho. Basta tornar-se uma líder 2.0, virar a sua campanha para a Internet, e no fundo ser um Obama, mas apenas na forma como o presidente eleito se aproveitou da Web para difundir a mensagem. Fácil, não?
 

Escrito por Ju at 16:52 | Link permanente | Comentário (0) |

«Obama, o primeiro Presidente da era da Internet»

Miguel Gaspar escreve hoje no Público uma belíssima crónica (com História, história e visão). 

Podem ir à procura do texto, que vale a pena. Eu só deixo aqui um pequeno destaque: «Franklin Roosevelt foi o Presidente da rádio, John Kennedy e Ronald Reagan os presidentes da televisão e Barack Obama é o primeiro Presidente da era da Internet»
Escrito por Ju at 16:26 | Link permanente | Comentário (0) |

Santana caiu por menos

Já não falo em telefonemas a directores a jornais; nem o de agora ao Diário Económico - que Sócrates não desmentiu - nem a multiplicação de contactos feitos para os media quando o Público trouxe a lume a história da licenciatura do primeiro-ministro; nem sequer da pen que apenas continha o articulado do Orçamento de Estado, deixando a oposição parlamentar «aos papéis» sem a proposta completa do Governo.


Falo da alteração à lei de financiamento: uma alteração que consta do OE para 2009, revelada pelo Diário Económico e que, nem Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, acredita poder ser alvo de uma simples rectificação. Porque essas, esclarece, circunscrevem-se «à correcção de lapsos». E até para Gama, o caso «pode ser entendido como excedendo a mera correcção de um lapso».

«Lapso» correspondia à expressão usada pelo ministro dos Assuntos Parlamentares para alterar a redacção do artigo da polémica, da lei do financiamento dos partidos, que regula os donativos singulares, integrada na proposta de Orçamento de Estado para 2009.

Santos Silva dizia que este «lapso» se ficou «provavelmente» a dever ao «jurista», que redigiu a alteração feita pelo Governo. Foi «provavelmente» um jurista, ou provavelmente alguém que o Executivo não sabe quem, ou, se sabe, não revela.


Agora, a mudança ao regime dos donativos vai ser de novo alterada na discussão em especialidade, e o PS irá apressar-se a corrigi-la, para de novo ficar conforme as directrizes do Tribunal Constitucional que não permite a entrega de dinheiro vivo aos partidos.


Uma trapalhada como esta, nem Santana, que caiu por muito menos.

Publicado aqui primeiro e já há algum tempo...

Escrito por Ju at 16:19 | Link permanente | Comentário (0) |

2008/08/28

Dennis Miller

Ele é louco, é livre e é muito divertido. Este é apenas um exemplo da qualidade de stand-up que é capaz de fazer. Mas cuidado que às vezes dói: desconhece a expressão politicamente correcto - ou contraria-a just for fun - e admite frontalmente ter votado em Bush. Garante que ele não disse que no Iraque estavam armas nucleares, mas sim nuculeares.... e foi por isso que não as encontraram. Estas e outras pérolas - as piadas sobre os Clinton são de fazer corar qualquer estagiária da Casa Branca - numa rápida busca no YouTube.

alt : http://www.youtube.com/v/A0paw7-LBEM&hl=en&fs=1
Escrito por Ju at 13:35 | Link permanente | Comentário (1) |

2008/05/22

Rádio online: Graças a Deus!

Não conseguiu ouvir Fernando Alves de manhã? Ficou dentro do carro para não perder pitada das perguntas de Carlos Vaz Marques no Pessoal e Intransmissível? E a Maria Delfina, a Denise e as suas nails? Ou o Bruno no Tubo de Ensaio? Não há problema. O novo site da TSF virou-se de vez para os leitores assíduos do online. E como rádio que é apostou forte nos conteúdos da rádio, permitindo que se ouça aqui o que no éter já passou e não volta.

E, claro, pode continuar a ouvir a emissão em directo no computador, como já o anterior site permitia.

O novo site da TSF é uma grande notícia. Para mim, confesso, é uma excelente notícia: pelo que representa de aposta no online, mas sobretudo porque não vou perder, sequer, uma crónica de Fernando Alves!
Escrito por Ju at 14:17 | Link permanente | Comentário (0) |